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Jonas Oldacre
Um jovem advogado de nome McFarlane recebe em seu escritório um
homem que pretende colocar em termos legais seu testamento. Ao
começar a copiar o rascunho fornecido pelo cliente, depara com
um fato extraordinário: ele, o próprio advogado, é
o grande beneficiário. Tomaria posse de todos os bens tão
logo seu cliente morresse.
Jonas Oldacre era o nome daquele que parecia ser seu grande benfeitor. Qualquer um diante de uma circunstância assim ficaria curioso para saber o motivo de tal ação. O cliente explica que gostaria de fazer uma surpresa para os pais do advogado, com quem mantivera relação nos tempos da mocidade e exige segredo. Alegando que ainda havia certo número de documentos para serem vistos, Oldacre convoca McFarlane para que vá até sua casa naquela mesma noite. O jovem advogado, como não poderia deixar de ser, vai até a casa de seu cliente e examinam vários documentos. No dia seguinte, ao ler o jornal, se depara com a notícia de que é acusado da morte de Jonas Oldacre. E os fatos não são nada favoráveis a ele. A relação que Oldacre afirmou ter com os pais de McFarlane foi, na verdade, um amor não correspondido pela mão do advogado. Ao ser recusado, jurou vingança. Até aí, nada de novo. O que caracteriza a frieza singular de Oldacre é que o plano por ele arquitetado para mandar o jovem advogado para a cadeia como autor de sua morte era, na verdade, apenas um despiste. O sofrimento que causaria na mãe do jovem advogado seria um grande prazer mas não foi a vingança, contudo, que o fez agir. Jonas Oldacre era construtor. Solteiro, 52 anos, estatura mediana. Morava em Deep Dene House. Tinha reputação de excêntrico, misterioso e reservado. Estava afastado da profissão que, ao que parecia, lhe dera fortuna. Todavia, algumas especulações mal-sucedidas lhe obrigaram a lesar alguns credores de modo que decidiu mudar de identidade para livrar-se das dívidas. Começou, então, a passar cheques avultados para um certo senhor Cornelius que não era outro senão a encarnação de sua nova identidade. Transferia sua fortuna para si mesmo e teria uma nova vida. Mas era preciso garantir que os credores não mais o importunariam. A saída: Oldacre devia morrer. Que a polícia procurasse pelo seu assassino era infinitamente melhor do que se procurasse por ele mesmo na condição de desaparecido. Unindo o útil ao agradável, Oldacre percebeu que poderia incriminar McFarlane com a intenção de se vingar da recusa de seu amor pela mãe do advogado e que enquanto a polícia se ocupasse com a investigação de seu assassinato, trocaria de identidade e começaria uma nova vida. Construtor que era, mantinha um depósito de madeira em sua propriedade. Após a saída de McFarlane daquele encontro noturno, o depósito de madeira pegou fogo e Oldacre desapareceu. Restos carbonizados foram encontrados entre os escombros. Sua morte favorecia diretamente McFarlane... "Uma obra-prima de vilania", reconheceu Holmes após solucionar o caso. Mas nada melhor que ler "O Construtor de Norwood" para saber como, no final, tudo acaba bem. MuNdO eLeMeNtAr - Todos os direitos reservados
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