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Charles Augustus Milverton
Segundo Holmes, era este o "maior canalha de Londres". Lady Eva
Brackwell foi a responsável pelo embate entre Holmes e
Milverton. Ela contratou o detetive para recuperar algumas cartas que
havia escrito a um nobre do interior antes de seu relacionamento com o
conde de Devercourt, com que iria casar.
"É o rei dos chantagistas. Deus ajude o homem e, principalmente, a mulher cujo segredo caia nas mãos daquele homem! Com rosto sorridente e coração de pedra, ele os sugará, até deixá-los completamente exangues. O homem é um gênio, à sua moda, e teria alcançado sucesso num negócio menos sórdido. Seu método é o seguinte: faz com que se saiba que pagará um preço muito alto por cartas que comprometam pessoas de dinheiro e posição. A mercadoria é entregue não somente por malandros que conseguiram conquistar a afeição de mulheres que confiam neles. Ele nada tem de mesquinho quando paga. Sei que deu setecentas libras a um lacaio por um bilhete de duas linhas, e o resultado foi a ruína de uma família nobre. Tudo o que existe no mercado, nesse gênero, vai parar nas mãos de Milverton, e há nesta cidade centenas de pessoas que empalidecem ao ouvir seu nome. Ninguém sabe onde sua espada cairá, pois, sendo muito rico e astuto, não age precipitadamente. Às vezes guarda um bilhete durante anos, à espera do momento oportuno para ameaçar a vítima. Eu lhe disse, Watson, que ele é o maior canalha de Londres. O bandoleiro que mata o comparsa no calor de uma briga não pode ser comparado a esse miserável Milverton, que, com método e sem pressa, tortura a alma e dilacera os nervos das criaturas, para aumentar sua já considerável fortuna". O vilão em questão era um homem de cinqüenta anos, baixo e gordo, com cabeça grande e ar de intelectual. Rosto barbeado, mantinha um sorriso gélido permanente. Por trás de seu óculos de aros dourados, um par de olhos cinzentos, inquietos e penetrantes. — Então podemos tratar do negócio. O senhor diz que representa Lady Eva. Ela deu-lhe poderes para aceitar minhas condições? — Quais são elas? — Sete mil libras? — E a alternativa? — Caro senhor, é-me penoso discuti-la. Mas, se o dinheiro não me for entregue até o dia 14, certamente não haverá casamento no dia 18. O sorriso do homem pareceu-me mais complacente do que nunca. Holmes refletiu durante alguns segundos. — Parece-me que o senhor está muito seguro de si - disse finalmente - Conheço, já sabe, os termos das cartas. Minha cliente fará, sem a menor dúvida, o que eu lhe recomendar. Vou aconselhá-la a contar tudo ao noivo e apelar para sua generosidade. Milverton deu uma risadinha irônica: — Vê-se que não conhece o conde — disse ele. Pela expressão de Holmes percebi que o conhecia. — Que mal há naquelas cartas? — perguntou o meu amigo. — São expressivas — respondeu Milverton. — A jovem era uma correspondente encantadora, mas posso garantir-lhe que o conde de Dovercourt não apreciaria tal qualidade. Enfim, já que sua opinião é outra, vamos deixar as coisas como estão. Se o senhor achar que Lady Eva não ficará prejudicada, caso as cartas sejam entregues ao conde, então seria tolice pagar por elas uma tão elevada quantia. O homem ergueu-se e apanhou o sobretudo de astracã. Holmes estava pálido de cólera e humilhação. — Espere um pouco — disse ele. — Não tenha pressa. Claro que faríamos tudo para evitar um escândalo, tratando-se de assunto tão delicado. A entrevista entre ambos não foi favorável a Holmes e o desenrolar dos acontencimentos é dos mais interessantes. Nesta aventura, Holmes assume a personagem de um certo Scott, um próspero encanador. O uso de disfarces era método comum do detetive mas este tem uma característica especial: Holmes transforma-se em Scott para se envolver com a empregada de Milverton, Agatha, a fim de saber sobre a residência e os hábitos do criminoso. E tudo isso porque Holmes pretendia invadir a casa de Milverton. Já havia providenciado, inclusive, um estojo de arrombamento de primeira classe para a execução do plano. Como se vê, Holmes não titubeava em lançar mão de meios ilegais para atingir seus objetivos, ou seja, os fins parecem justificar os meios. O final da aventura é surpreendente e por pouco Holmes e Watson não passaram a dividir a mesma cela ao invés dos aposentos de Baker Street. O desenlace não será aqui comentado, mas certamente foi um dos maiores apertos vividos pela dupla. Charles Augustus Milverton foi um adversário à altura de Holmes e resta lamentar que Conan Doyle tenha escrito apenas uma aventura com este vilão. MuNdO eLeMeNtAr - Todos os direitos reservados
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