A Volta de Sherlock Holmes
Por Walker Simon
Traduzido por: Robson FN
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Condensado de Reuters, 02/06/2005 |
O detetive Sherlock Holmes, famoso por sua lógica
glacial, está na moda de novo, ressuscitado por autores que
acreditam que o personagem extremamente racional tem o que dizer nesta
era de incertezas pós-11 de setembro.
Setenta e cinco
anos depois da morte de seu criador, Arthur Conan Doyle, Holmes vem
aparecendo em locais históricos, de Hiroshima à Europa
assombrada pelo Holocausto, em recentes descrições feitas
por escritores norte-americanos.
O romance "The
Italian Secretary", de Caleb Carr, chegou às livrarias no
mês passado, depois de "A Slight Trick of the Mind", de Mitch
Cullin, que põe o detetive em meio aos escombros do primeiro
ataque com bomba atômica do mundo.
"Acho que ele
incorpora a crença da era moderna de que por meio da
razão...podemos solucionar todas as nossas terríveis
dificuldades", disse Carr à Reuters. "Isso foi colocado em xeque
recentemente pelo ressurgimento do pensamento religioso
fundamentalista."
"The Final
Solution", do escritor premiado pelo Pulitzer Michael Chabon, situa
Holmes na Grã-Bretanha de 1944 em busca de um periquito de um
menino judeu alemão que fica mudo pelo horror do Holocausto.
Laurie King, em um livro a ser lançado em junho, coloca Holmes
revisitando as memórias do terremoto de 1906 em San Francisco.
Nos livros, a
idade de Holmes varia de acordo com as épocas dos romances. No
que trata do Holocausto, o detetive tem 89 anos; em Hiroshima, tem 93.
Cullin diz que a persona de Holmes ressoa de modo diferente hoje.
"A simples
idéia de que tal personagem possa existir e desfazer os
nós e problemas que complicam nossas vidas faz dele mais
atraente agora do que, digamos, nos apáticos anos da
década de 1980", diz Cullin, que admite que seu Holmes
está "um tanto perturbado pelos horrores e ambigüidade do
mundo moderno".
Conan Doyle
descreveu Holmes em quatro romances, incluindo "O Cão dos
Baskervilles", e em 56 histórias publicadas entre 1887 e 1927.
As histórias eram muito populares e inspiraram milhares de
imitações e paródias ao longo dos anos.
Pelas contas de
Leslie Klinger, especialista em Sherlock Holmes, há
provavelmente 4 mil histórias imitando o trabalho de Conan Doyle.
"A maioria
é corretamente ignorada; poucos são de escritores
excelentes. Este ano, Chabon, Cullin e Carr entraram na lista", disse
Klinger, que participou de uma edição comentada de 1.700
páginas dos trabalhos de Conan Doyle com Sherlock Holmes.
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