As Regras do Matrimônio

Por Brad Keefauver
Condensado de Plugs & Dottles, Abril, 1991


"Mas por que você só me disse agora que houve razões particulares pelas quais eu devo estudar este caso?"

     "Porque foi o primeiro em que me encontrava comprometido."

     Lendo essas duas linhas do Caso do Glória Scott, qualquer um sabe imediatamente quem é Sherlock Holmes e quem é o Dr. Watson. Além de ser amigo e biógrafo do detetive mestre, o doutor encontrava-se constantemente no papel de estudante. Em relatos como o apresentado acima, não encontramos Watson falando em arquivar os casos de Holmes ou em transformá-los em estórias bonitas, mas sim em estudá-los. É bem verdade que Watson acabou escrevendo muitos dos casos como estórias; é igualmente verdadeiro que ele não era o mais ligeiro aprendiz do mundo, mas um estudante ele definitivamente era. Holmes repreendia-o de tempos em tempos, mas os professores não são de fato mais duros com aqueles alunos dos quais esperam o melhor? E, em certos momentos, Watson realmente merecia as críticas.

     Pegue o Glória Scott como exemplo. Holmes diz a Watson que estude o caso. Por quê? Porque foi o primeiro caso no qual Holmes estivera comprometido. O primeiro caso em que Holmes pediu a um garota que se casasse com ele, em outras palavras. Isso pode parecer um barato jogo de palavras, mas você se lembra do Caso de Charles Augustus Milverton? Mas é claro que se lembra!

     Sherlock Holmes ficou noivo da empregada de Milverton por uma razão somente: "Eu queria informações, Watson." Pelo tempo em que seu noivado durava, Holmes conhecia todo o traçado da casa e do terreno, os hábitos da família e, até mesmo, como manter o cão preso durante a noite. "Você deve jogar suas cartas da melhor maneira," diz Holmes a Watson.

     E quanto ao Glória Scott? Watson, como cavalheiro que é, deixou o noivado de fora do registro da estória, mas creio que podemos estar certos de que a noiva de Holmes era uma criada da família Trevor. Suponho que ele tornou-se seriamente impressionado com garota durante seu mês em Donnithorpe, e acabou por pedir a ela que se casasse com ele apenas com aquele único pensamento em mente.

     Quando Holmes deixou a família Trevor, as cartas da garota tornaram-se sua constante fonte de informação sobre os estranhos acontecimentos do lugar, uma fonte de dados que permaneceria com ele mesmo depois do rompimento das relações com a moça. Eventualmente, Holmes conseguiu que Watson estudasse o Glória Scott, o primeiro caso em que ele fora noivo. O resultado?

     Watson levando uma boa chamada do seu professor, novamente. Escute isso:

     "Ele deu um lúgubre gemido. 'Receio', disse ele. 'que eu realmente não posso congratulá-lo.'"

     Como sempre, Watson parece ter atamancado as coisas novamente. O caso era O Signo dos Quatro, e na tentativa de aplicar os métodos de Holmes, Watson parece ter dado todas as mancadas imagináveis. Primeiro, ele pediu à cliente que se casasse com ele - a última pessoa da qual um detetive precisa tirar informações. Segundo, ele não pediu a mão dela até que todo o caso estivesse resolvido. E terceiro (e pior de todos), Watson realmente casou-se com sua noiva, a qual o proibiu de tentar usar o método novamente (ou pelo menos até uma "possível consternação" ou alguma outra virada trágica).

     Algumas coisas funcionam melhor quando deixadas para profissionais, e o método do noivado de Holmes para juntar informações parece ser uma delas. Ainda assim, eu duvido que um dia veremos um anel de diamantes ao lado da lupa e da fita métrica, como instrumentos da profissão investigadora.

     Alguns perigos nem mesmo Holmes poderia encarar.


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